Para assegurar a posse dos territórios conquistados e catequizar os índios durante a colonização da América, no século 17, a Coroa Espanhola fundou as Missões Jesuíticas nas regiões onde hoje localizam-se Argentina, Brasil e Paraguai. Disputas fronteiriças entre Portugal e Espanha, formalizados através do Tratado de Tordesilhas, forçaram os jesuítas a concentrar o trabalho de catequização dos índios guaranis no Rio Grande do Sul. Nascia, então, os Sete Povos das Missões: São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio.
Essas missões abrigaram milhares de habitantes e tinham a estrutura e organização de uma pequena cidade européia. A igreja era o centro dessas comunidades e a sua volta, estavam escola, hospital, oficinas etc. Era intensa a atividade economia dessas estruturas cuja intenção era mantê-las fortes e economicamente independentes de qualquer intervenção de colonizadores espanhóis e portugueses.
Em meados do século 16, disputas políticas entre Portugal e Espanha deram origem às Guerras Guaraníticas, que dizimaram milhares de índios. Em 1768, o Marquês de Pombal expulsou definitivamente os jesuítas do território brasileiro, e as missões foram abandonadas. Hoje restaram as ruínas de apenas quatro delas: São Nicolau, São João Batista, São Lourenço Mártir e São Miguel Arcanjo. Esta última é considerada historicamente a mais importante do Brasil.
Localizada na cidade de São Miguel das Missões, a mais de 480 quilômetros de Porto Alegre, é desde 1983 reconhecida Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco. Alí está o que restou da igreja erguida em 1745 e também o Museu das Missões, concebido pelo arquiteto Lúcio Costa. Foto Stepan Norair





